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Sidney Chalhoub, João Antônio de Paula, José Murilo de Carvalho , Leslie Bethell e Alfredo Bosi
História e Dicionários e Obras de referência
ISBN: 9788539003198
Lançamento: 06/03/2012
Formato: 16 x 23
Peso: 500 gramas
320 páginas
Preço: R$ 43,90
Com o título A construção nacional, o segundo volume da coleção História do Brasil Nação, coordenado pelo historiador e membro da Academia Brasileira de Letras José Murilo de Carvalho, analisa um período marcado pela consolidação dos Estados nacionais em toda a América.
O livro investiga as particularidades desse processo no Brasil ocorrido entre a abdicação de d. Pedro I, em 1831, e a deposição de d. Pedro II, em 1889. Entra em foco o conturbado período regencial e o longo Segundo Reinado, abordados a partir de aspectos fundamentais para a compreensão da época, como a constante ameaça à unidade nacional, a Guerra do Paraguai e a manutenção da ordem escravocrata.
Com direção-geral da historiadora Lilia Schwarcz e edição de Roberto Feith, a coleção, composta ao todo por seis livros, sendo um dos títulos previstos somente com fotos e ilustrações, oferece um panorama diversificado sobre o período através de textos multidisciplinares que analisam a população e sociedade, a vida política, as relações internacionais, as dinâmicas econômica e cultural.
A obra busca debater o que há de mais atual na produção historiográfica brasileira, aliando linguagem acessível, interpretação original e rigor na pesquisa documental, e inclui farto material iconográfico, como complemento ao texto. Integrada ao projeto América Latina na História Contemporânea, idealizado pela Fundación Mapfre, a série é parte de uma iniciativa ambiciosa abrangendo mais de dez países, que apresenta a trajetória das nações latino-americanas no contexto geral da Ibero-América.
Para o volume 2, quatro renomados historiadores - Sidney Chalhoub, Leslie Bethell, João Antônio de Paula e Alfredo Bosi - refletem, cada qual em sua especialidade, o contexto excepcional da monarquia brasileira entre 1830 a 1889, cercada de repúblicas por todos os lados. José Murilo assina, além do capítulo sobre a vida política, os textos de abertura e conclusão em que sintetiza os principais temas abordados ao longo do livro.
O período regencial (1831-1840) foi marcado por lutas políticas, insurreições e guerras civis separatistas. A antecipação da maioridade de d. Pedro II deu início ao Segundo Reinado, época de estabilidade política e crescimento econômico, mas ainda marcada pelo grande problema da escravidão. A partir de 1850, sucessivas medidas abolicionistas e esforços de importação de mão de obra, sobretudo europeia, transformaram, em todos os níveis, a vida e o perfil dos brasileiros.
José Murilo retoma o debate controverso sobre a relação entre a manutenção da escravidão e a conservação da unidade do país e questiona o posicionamento de alguns analistas para quem a escravidão exerceu papel fundamental para a preservação do imenso território brasileiro. O historiador defende a atualidade da discussão e retoma o argumento de Joaquim Nabuco para quem "relação senhor-escravo transportava-se para dentro da própria prática política, contaminando a cidadania com os germes do autoritarismo e do paternalismo."
Também seguindo uma linha de revisão histórica, Leslie Bethell, professor emérito da História da América Latina na Universidade de Londres, busca derrubar a interpretação predominante sobre a "vilania" da Inglaterra, que teria sido responsável por instigar e financiar a tríplice aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai.
"Há pouca ou nenhuma prova empírica consistente que possa sustentar essa tese. O governo britânico não tinha praticamente nenhum interesse no Paraguai e nenhuma vontade de piorar as disputas existentes no rio da Prata, e muito menos de promover a guerra, que iria apenas ameaçar vidas e propriedades inglesas e o comércio britânico. E, mesmo que quisesse, a Inglaterra não exercia o grau de controle sobre o Brasil ou a Argentina que seria necessário para manobrá-los e levá-los à guerra contra o Paraguai.", argumenta Leslie, deixando claro que mesmo pontos tido como pacificados da história brasileira ainda carecem de uma análise mais profunda.
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