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Ivan Sant´Anna, autor do best-seller Caixa-preta, revela em novo livro-reportagem os bastidores do planejamento e execução do ataque que derrubou as Torres Gêmeas Entrevista com o autor 1. O que diferencia Plano de Ataque dos outros livros publicados sobre o 11 de setembro? A maioria dos livros publicados sobre o 11 de setembro trata de um assunto só. Ora são as torres gêmeas, e o que aconteceu lá dentro após os ataques, ora são narrativas contando a história da al-Qaeda, ora são relatos de um dos quatro vôos seqüestrados. Há também livros sobre o desempenho dos bombeiros de Nova York e sobre os controladores de vôo. Plano de Ataque trata de tudo um pouco. Mas o destaque do meu livro é a narrativa da escolha (por parte da al-Qaeda) dos pilotos kamikases, sua formação nos Estados Unidos e os antecedentes dos atentados, assim como um relato do que aconteceu a bordo dos quatro aviões, desde que decolaram até o momento em que explodiram contra seus alvos ou contra o solo (caso do vôo 93). Muitos dos livros sobre o 11 de setembro fazem juízo de valor o tempo todo. Eu me limito a narrar, como se estivesse escrevendo um thriller, o que aconteceu. Não faço juízo de quase nada. 2. Na introdução do livro você escreve que “o grande obstáculo, no caso do 11 de setembro, não é a falta de informações, mas o excesso delas”. Como você lidou com essa dificuldade? No início, isso (o excesso de informações) quase me fez desistir do projeto. Depois adotei a seguinte postura: como eu já conhecia bem a história, selecionei os personagens que me interessavam, relacionados no início do livro. E passei a só pesquisar aquilo que se referia a eles, ignorando o resto. 3. Quais as principais fontes de informação que você utilizou na pesquisa para o livro? O relatório da comissão que investigou, no Congresso americano, os atentados. "The 9/11 Commission Report; uma extensa matéria, sobre o vôo 93, do jornal Pittsburgh Post-Gazette; os livros "Al Qaeda Brotherhood of Terror", de Paul L. Williams, "Ground Stop", de Pamela S. Freni, "Inside Al Qaeda", de Rohan Gunaratna, "Let's Roll!", de Lisa Beamer, "Mark Bingham, Hero of Flight 93", de Jon Barrett, e "Road to Al-Qaeda", de Montasser Al-Zayyat; exemplares das revistas "Economist", "Newsweek", "Time Magazine" e "Vanity Fair" e diversos sites da Internet, entre os quais destaco http://www.september11victims.com/september11victims/victims_list.htm que exibe a biografia de todos os mortos de 11 de setembro. 4. Além das pesquisas, você fez alguma entrevista? Entrevistei inúmeras vezes, por e-mail, Deena Burnett, viúva do passageiro Tom Burnett, do vôo 93. Deena foi a pessoa que mais conversou (quatro vezes) por telefone, com os aviões seqüestrados. Entrevistei também, por e-mail e telefone, os pilotos Kimberly Kladt, da British Airways, Lyle Miller, da United Airlines, e Fernando Murilo de Lima e Silva, piloto aposentado da Vasp. Eles me deram todas as dicas sobre as técnicas de pilotagem dos Boeing 757 e 767 e assim pude descrever como os pilotos-seqüestradores puderam pilotá-los. 5. Você se interessou especialmente pela história de Mohamed Atta, Marwan al Shehhi, Hani Hanjour e Ziad Jarrah, os terroristas que, após o assassinato dos pilotos, assumiram os comandos dos quatro vôos. O que mais o surpreendeu ao pesquisar a vida destes indivíduos? Ziad Jarrah não preenchia nenhum dos requisitos que se espera de um fanático suicida. Além de não ser religioso (estudou num colégio católico), era um jovem que curtia a vida e era apaixonado por sua namorada e por aviões. Mohamed Atta pretendia ser engenheiro urbano. Hani Hanjour só sonhava em ser piloto de linhas aéreas. O único mais fanático era Marwan al Shehhi. Nenhum dos quatro pretendia morrer. Queriam apenas lutar na Chechênia. Foi Osama Bin Laden quem os convenceu a optar pelo martírio, quando eles foram ao Afeganistão se preparar para a luta na Chechênia. 6. O livro tem algum toque ficcional? Muito pouco. Apenas alguns diálogos entre integrantes da al-Qaeda, mesmo assim para explicar melhor algumas situações. O restante dos diálogos do livro é produto de fitas gravadas, do resumo de interrogatórios de prisioneiros e de entrevistas, pela televisão, de pessoas que travaram esses diálogos. 7. O atentado terrorista poderia ter sido evitado pelas autoridades? Por quê? Poderia. Na hora dos embarques, 12 dos 19 seqüestradores tiveram seus nomes apontados pelos computadores dos setores de segurança dos aeroportos como suspeitos de atividades terroristas. Mas o pessoal se limitou a pôr suas bagagens de lado até que embarcassem nos aviões. Além disso, quase todos entraram nos Estados Unidos com passaportes contendo adulterações as mais diversas. 8. Por que os acidentes aéreos despertam tanta curiosidade entre os leitores? Realmente, não sei. Só sei que se um avião cai no Sudão, no dia seguinte o desastre sai na primeira página dos jornais do mundo inteiro. Acho que isso remonta aos primórdios da aviação, quando voar era realmente uma aventura perigosa. Por mais seguro que um avião seja, na hora da decolagem a maioria dos passageiros ainda sente um frio na espinha. Na hora do pouso, um alívio. Sobre o autor Ivan Sant´Anna é carioca, escritor de sucessos como Rapina e Caixa-preta, livro lançado pela Objetiva sobre três grandes acidentes aéreos brasileiros. Durante anos trabalhando como operador da bolsa, Ivan viveu entre Nova York, Chicago e Rio de Janeiro. Piloto amador, sempre foi fascinado por aviões, e decidiu dedicar três anos de sua vida para pesquisar exaustivamente tudo o que aconteceu nos vôos de 11 de setembro. |
Outros livros de Ivan Sant´Anna:
Caixa-preta
Carga Perigosa
Em Nome de Sua Majestade







